Versão topo de linha do sedan encanta por alto desempenho e pacote tecnológico

No mês de agosto de 2016, a décima geração do Honda Civic chegou as concessionárias. De lá para cá, o sedan Civic vem repetindo a sua trajetória de sucesso, já vista em gerações anteriores. Mas essa décima geração guardou uma surpresa especial para o mercado brasileiro. Pela primeira vez, a Honda ofereceu o modelo em uma versão com um motor turbo com uma transmissão CVT, essa última também disponível nas demais versões da geração 10. Foco dessa avaliação, trazemos a versão topo de linha, o Civic Touring.

Estilo

Um fato incontestável, mesmo sem entrar no carro, é que a Honda fez um belíssimo trabalho no visual do novo Civic. Nessa décima geração, podemos dizer que o Civic conseguiu ficar diferente de todos os seus concorrentes diretos, na categoria de sedans médios. O visual para lá de arrojado, sugere traços de um carro conceito.

Na dianteira, o visual esportivo traz a nova identidade da marca, que passará a ser usada nos demais carros da Honda. No Civic atual, observam-se traços do desenho do sedan grande da marca, o Honda Accord. Mas é na traseira que vem o grande destaque. Diferentes de outras gerações do Civic, onde a Honda foi muito criticada pela falta de estilo ou originalidade, agora a Honda caprichou mesmo. As lanternas em forma de seta, invadem tampa do porta-malas, conferindo um ar “espacial” ao sedan. Visto de lado, a traseira inclinada lembra o estilo de um veículo cupê, ainda que o Civic seja um sedan. Em resumo, o Civic ficou com o estilo mais esportivo da categoria, ficando muito longe de alguns concorrentes com visual “tiozão”.

Interior

No interior, a Honda também promoveu mudanças profundas. Ainda que o arrojo do exterior não seja tão presente por dentro, o que se nota é uma preocupação com “funcional” antes de tudo. É bem verdade que o carro se destaca também pela qualidade, conforto e silêncio. A posição de dirigir confere boa ergonomia.

Agora, a Honda acabou com o painel espalhado. Antes eram 3 zonas principais divididas. Agora, temos um painel integrado, bem à frente do motorista. Na versão avaliada, não existem mais os mostradores analógicos. Esses foram substituídos por uma tela digital. Ainda que os gráficos sejam bonitos e de qualidade, faltou um pouco de criatividade por parte da Honda. O gráfico do conta giros (simulando um sistema de ponteiros) fica ao redor, das demais informações. A velocidade vem em formato digital, como demais informações do computador de bordo. Mas a falta de criatividade se dá pelo fato do carro não contar com nenhum outro modo de visualização. Geralmente carros com painéis virtuais, permitem diferentes configurações de visualização, como ocorre no C4 Picasso e Audi A4, por exemplo. Ainda sim, o painel é muito bonito e proporciona excelente leitura. Especificamente na versão Touring, uma das telas do computador de bordo, informa a pressão do turbo, em tempo real.

Destaque também para o excelente e muito funcional console central. Nele, a Honda fez um belo trabalho de aproveitamento do espaço. O compartimento entre os bancos é bem grande, e pode acondicionar diversos objetos. Mais à frente, e numa região protegida, estão as tomadas de conexão do USD e HDMI da central, além da tomada 12 volts. O freio de mão tem acionamento eletrônico, poupando espaço do console.

A capacidade do porta-malas, criticada na geração anterior, subiu de 449 para 519 litros. Mas isso se dá pelo uso de um estepe temporário mais fino. Aliás, uma escolha bastante questionável da Honda, para um veículo que roda nas péssimas ruas brasileiras.

No geral, o Civic é um carro muito confortável, inclusive para quem viaja no banco traseiro. Os 10 cm extras no comprimento, e o entre-eixos maior de 2,7 metros garante o espaço para as pernas de todos a bordo. Mérito do Civic em oferecer cintos de segurança de 3 pontos com encostos individuais para a cabeça, no banco traseiro.

Motor turbo

A 10ª geração do Civic chegou ao mercado com novidades. A principal delas está na versão Touring, a atual topo de linha. Esse novo motor 1.5 litro – 16 válvulas de quatro cilindros com duplo comando acionado por corrente, e soma turbo de baixa inércia, injeção direta, variação de tempo de abertura de válvulas (VTC) e válvula wastegate eletrônica, gerando até 173 cv a 5.500 rpm, com o torque linear de 22.4 kgfm entre 1.700 rpm a 5.500 rpm.

Este motor traz uma série de recursos para redução de atrito, além de aprimoramentos no desenho e engenharia para combinar potência e baixo consumo de combustível. Na classificação do CONPET, esse motor recebe o selo de eficiência energética, com nota A em sua categoria. Mesmo em relação a classificação geral, esse conjunto de motor e câmbio também recebe nota A.

Transmissão CVT

Outra novidade está no câmbio. Pela primeira vez na família Civic no Brasil, à transmissão passa a ser continuamente variável (CVT), em relação a automática de cinco marchas do anterior. Ou seja, o Civic G10 foi no mesmo caminho de Fit, City e HR-V. Mas a lógica de programação está aperfeiçoada, tornando a condução mais gostosa.

A escolha pelo CVT se deu em função do quesito “economia”. Ainda que seja totalmente variável, a transmissão traz a opção de simular sete marchas, que podem ser trocadas por borboletas atrás do volante. Detalhe interessante que a Honda usou uma programação que disfarça adequadamente o comportamento diferente do CVT. Mesmo numa aceleração forte, a subida de giro é mais linear e progressiva, não dando a típica sensação do CVT, que o carro está patinando quando o motor atinge o giro máximo.

Desempenho e consumo

Fato que esse conjunto entrega ótima eficiência energética. Pelo INMETRO essa versão consegue um consumo de 12 km/l em trecho urbano e 14,6 km/l em rodoviário, com gasolina. A 120 km/h, o motor gira pouco acima de 2.000 rpm. Mas em nossos testes, foi possível chegar à média máxima de quase 16 km/l na estrada, com velocidade média de 110 km/h e ar-condicionado ligado.

Claro que o Civic não faz feio quando o assunto é desempenho. Aliás, ele está no topo da categoria, excluindo apenas o sedan Jetta TSi com motor 2.0 litros. O Civic Touring acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,6 segundos, e tem velocidade máxima de expressivos 221 km/h.

Dirigibilidade

Embora tenha adotado câmbio CVT em prol do consumo e conforto, a versão Touring do Civic não decepciona quem procura por uma dirigibilidade esportiva. O motor turbo garante muita agilidade ao conjunto. E o câmbio, ainda que CVT, consegue fazer algumas simulações de trocas de marcha, mesmo na posição Drive. Com o uso das aletas atrás do volante, fica ainda mais divertido dirigir o Civic Touring.

O novo Civic adota o design de suspensões mais sofisticado da história do modelo, entregando uma direção mais direta e apurada, com dirigibilidade mais precisa e uma excelente qualidade de rodagem.

As melhorias na suspensão incluem a adoção de uma inédita suspensão por multibraços na traseira, com subchassi. Buchas de suspensão hidráulicas (na dianteira em todas as versões) aumentam a qualidade de rodagem proporcionando uma isolação mais eficiente da vibração da pista. Barras estabilizadoras com buchas integradas para aumentar o controle de carroceria e direção com assistência elétrica com dois pinhões e relação variável que melhoram a percepção de direção, o desempenho e o conforto.

Além disso, o Civic conta com um sistema de vetorização de torque junto do controle eletrônico de estabilidade, que é capaz de aplicar o freio na roda dianteira para entrar em uma curva, melhorando a resposta, estabilidade e precisão.

As barras estabilizadoras maiores (dianteiras passaram de 18mm para 25,5mm e as traseiras de 12mm para 16mm) melhoram a resposta de direção em curvas, diminuindo a rolagem de carroceria. Fixadas à carroceria por meio de buchas, usam bieletas de baixa fricção para uma operação suave. O centro de gravidade do novo Civic foi reduzido em 14 mm, fator que melhora tanto a agilidade como aumenta a resistência à rolagem. A dirigibilidade também foi aprimorada com o uso de pneus mais largos que a geração anterior (215/50 17 em todas as versões).

Soma-se também a boa dirigibilidade a direção com assistência elétrica e relação variável, que trabalha em conjunto com o sistema de estabilidade eletrônico do carro.

Equipamentos

Por ser a versão topo de linha, a Touring sai completa, sem opcionais de fábrica. Para começar, ela inclui todos os equipamentos da versão EXL (a mais vendida atualmente), sendo: retrovisores rebatíveis eletricamente com repetidores laterais integrados em LED, freio de estacionamento elétrico com função Brake-Hold, volante multifuncional com controles do som, faróis com acendimento automático, bancos revestidos em couro, controle de cruzeiro, vidros elétricos com fechamento e abertura automática para todos os ocupantes, controles de tração e estabilidade, 6 air-bags, assistente de partida em rampa (HSA), luzes de diurna em LED (DRL), faróis auxiliares dianteiros e sistema Isofix para fixação de cadeirinhas. Tudo de série!

Também faz parte do pacote ar-condicionado automático de duas zonas, multimídia com tela de sete polegadas touchscreen com navegador e interface para smartphone (com entrada HDMI, duas portas USB, dois tweeters dianteiros e dois traseiros) e o painel de instrumentos com tela de TFT de alta definição, inédito na categoria de sedans médios. Mas essa versão agrega ainda equipamentos inéditos não só para o Civic, mas também para o segmento de sedans médios no Brasil.

Destaque para o sistema LaneWatch que estreou no sedan grande Accord. Ele minimiza os pontos cegos por meio de uma câmera posicionada abaixo do retrovisor direito, reproduzindo as imagens na tela central, e oferecendo mais segurança em mudanças de faixa. O sistema é acionado quando o motorista liga a seta para a esquerda, ou quando aperta um botão na haste da seta. O sistema funciona em qualquer velocidade que o carro esteja.

Outro destaque na versão Touring é o belíssimo conjunto ótico dianteiro Full LED (totalmente em LED). Tudo vem em iluminação LED: as luzes de posicionamento diurno, facho alto e baixo do farol e até as luzes auxiliares de neblina. É importante registrar que isso é uma exclusividade na categoria.

Este modelo traz também entre seus equipamentos, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, banco dianteiro com ajuste elétrico em oito direções para motorista, sensor de chuva, retrovisor interno fotocrômico, teto solar elétrico, e sistema de partida por botão no painel sem a necessidade de tirar a chave do bolso. Também há a partida pelo controle remoto da chave. Essa última função permite dar a partida a distância, mesmo antes de entrar no carro. Com isso, o sistema de ar-condicionado já entra em operação, climatizando o veículo.

Outro diferencial da versão é o painel e guarnição das portas com acabamento em alumínio escovado e as maçanetas externas cromadas, reforçando a sofisticação da versão. Ainda no pacote, um para-brisa com tratamento acústico para redução de ruídos externos.

Central Android

A central multimídia é bastante completa e traz tela sensível ao toque, além de sistema operacional Android. Ela traz praticamente o mesmo software e funções da central presente no Civic EXR, da geração anterior. Uma das diferenças agora, é a integração com o sistema Android Auto e Apple CarPlay. Ainda integrado à central, está a câmera de marcha ré multivisão, com guias dinâmicas de direção. Destaque também para o navegador GPS com função Turn-by-turn e informação de trânsito (via RDS-TMC).

O Radio Data System-Traffic Message Channel são dados de trânsito transmitidos por ondas de rádio, em cidades como Campinas e São Paulo. A Honda foi a pioneira no Brasil a utilizar a solução, já na geração anterior do Civic. Assim, informações de trânsito são transmitidas para a central multimídia, que calcula com mais precisão o tempo até o destino, quando uma rota está traçada. Mas o sistema da Honda ainda não consegue entender o trânsito, traçando rotas alternativas, como acontece com o Waze.

O sistema de som da central também é de qualidade, com 180W de potência, distribuídos por 4 alto-falantes e 4 tweeters.

A versão Touring passa de R$ 120 mil. Ainda sim faltam algumas coisas, presentes em concorrentes diretos, como sistema de estacionamento automático. Ou ainda uma saída do ar-condicionado para o banco traseiro.

Cores

O sedan está disponível em uma cor inédita: a pintura especial Branco Estelar (perolizada) que recebe uma camada adicional, acrescentando brilho diferenciado e exclusivo, além das já conhecidas Branco Tafetá (sólida), Cinza Barium (metálica), Prata Platinum (metálica) e Preto Cristal (perolizada).

Preços:

Sport Manual: R$ 87,9 mil

Sport CVT: R$ 94,9 mil

EX CVT: R$ 98,4 mil

EXL CVT: R$ 105,9 mil

Touring: R$ 124,9 mil

Conclusão

Não podemos dizer que o Civic Touring é barato ou acessível. Mas é fato que o sedan entrega alguns equipamentos bem exclusivos na categoria de sedans médios. O desempenho certamente vai encantar qualquer cliente dessa categoria, ainda que não seja o mais veloz e potente de todos. Assim, o cliente da versão Touring é mais específico. Alguém que valoriza a confiabilidade da marca Honda e não abre mão do desempenho e certa exclusividade.

Ficha técnica

Motor: 4 cilindros em linha 1.5 – 16V com duplo comando variável

Cilindrada: 1497 cm3

Combustível: gasolina

Potência: 173 cv a 5.500 RPM

Torque: 22,4 kgfm a 1.700 RPM

Câmbio: automático continuamente variável (CVT)

Direção: assistência elétrica

Suspensão: McPherson (d) e multilink (t)

Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)

Tração: dianteira

Dimensões: 4,637 m (c), 1,798 m (l), 1,433 m (a)

Entre-eixos: 2,7 m

Peso: 1.326 kg

Pneus: 215/50 R17

Porta-malas: 519 litros

Tanque: 56 litros

0-100 km/h: 8,6 segundos

Velocidade máxima: 221 km/h

Fonte: Site Campinas.com.br